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EXPOSIÇÃO LIVROS E ARTE

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Lançamento do catálogo da exposição

janeiro de 2020

Casa Roberto Marinho

Rio de Janeiro

Uma exposição sobre os livros artesanais da UQ! Editions e obras dos artistas que deles participaram.

 

Por que "Livros e Arte"?

Imagine objetos que não se decidem entre ser livro ou ser pintura; ou até escultura ou algo do tipo. Imagine objetos que são únicos, que não podem ser reproduzidos, que foram feitos à mão e exibem uma vontade louca de saltar para as paredes e serem quadros. Que querem se exibir aos olhos como obras de arte e, ao mesmo tempo, querem ser manuseados como livros. Assim são os objetos que você encontrará nesta exposição: híbridos de livros com qualquer coisa — livro-gaveta, livro-janela, livro-objeto — cada um deles parece reinventar o que vem a ser… um livro.  

A exposição

A exposição Livros e Arte, inaugurada no dia 3 de outubro de 2020, na Casa Roberto Marinho, reuniu 149 trabalhos de nove artistas, no andar superior do instituto. A curadoria de Leonel Kaz parte de livros de artista organizados pela UQ! Editions — parceria editorial entre Kaz e a designer Lucia Bertazzo — em publicações plásticas e/ou conceituais, acerca das obras de Antonio Dias, Ferreira Gullar, Frans Krajcberg, Leo Battistelli, Luiz Zerbini, Paulo Climachauska, Pedro Cabrita Reis, Roberto Magalhães e Wanda Pimentel. A mostra propõe um diálogo entre as obras gráficas e pinturas (sobre diferentes suportes), esculturas, desenhos, monotipias, fotografias, vídeos, instalação e outras linguagens. Sula Danowski (Danowski Design) assinou o projeto cenográfico e o design.

Vídeo sobre exposição

Sala de Luiz Zerbini

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Sala Luiz Zerbini

A sala de abertura de Livros e Arte, dedicada a Luiz Zerbini, ocupa o espaço que abrigava a antiga biblioteca de Roberto Marinho. Ao fundo, está o grande painel “Primeira Missa”, pintado em 2014, ladeado por 16 monotipias da série “Minhas Impressões” (56cm x 79cm), que originou o monumental livro de mesmo título. Com capa em bambu e uma profusão de intervenções e colagens manuais, o livro inclui pinturas originais do artista em tinta acrílica sobre papel.

O resultado da estreita colaboração entre o artista, os editores e o impressor João Sanchez, do Estúdio Baren, fez Zerbini mergulhar por cerca de dois anos no universo da arte gráfica. As técnicas vão da gravura em metal, xilogravura e monotipia ao recorte a laser impresso em papel marmorizado, passando pelo au pochoir (folhas pintadas manualmente e coladas no papel). O resultado é uma fusão entre natureza e artes gráficas. A sala inclui as matrizes originais de impressão.

Sala de Antonio Dias

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Sala Antonio Dias

Esta sala sintetiza as diversas faces de Antonio Dias, um artista múltiplo e inquieto: duas pinturas de galáxias, três guaches de sua “fase política” dos anos 1960, uma obra sobre papel do Nepal e um díptico sanguíneo, criado quase ao final de sua vida. É o mesmo artista multifacetado que emerge no vídeo de Antonio Carlos da Fontoura, também em exibição na mostra.

O múltiplo “galáxias” (50cm x 70cm), assinado por Haroldo de Campos e Dias, e idealizado pela dupla ainda nos anos 1970, é tema do livro realizado pela UQ! Editions, a partir de 100 protótipos. Trata-se de um sofisticado estojo em fibra de vidro revestida em tecido pintado pelo artista, contendo dez caixas menores, de onde saem 32 peças gráficas criadas simultaneamente com o famoso poema concretista ‘Galáxias’, escrito por Campos no início dos anos 1970.

A produção do livro envolveu uma série de artesãos que ajudaram a confeccionar os objetos que compõem o múltiplo concebido por Dias, como poemas em leque, jogos de espelho, plásticos com algodão e talco dentro, entre outros.

Sala Pedro Cabrita Reis

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Sala Pedro Cabrita Reis


Em visita ao ateliê de Pedro Cabrita Reis, numa antiga fábrica no bairro de Marvila, em Lisboa, os editores da UQ! propuseram ao artista português um desafio: interpretar o poema “Cântico Negro” (63 x 50 cm), de José Régio. Exultante, Cabrita aceitou: “Este sou eu; esta é a minha obra”. Artista de gestos grandiloquentes, entregou aos editores a missão de encontrar um papel para obras imensas que coubessem em livro. Um papel produzido a partir de fibra de bambu permitiu que 70 pinturas originais em acetona e pigmentos atingissem 2m de altura. Como o bambu dobra mas não quebra, as pinturas foram dobradas e acomodadas num estojo feito em Paris, pelo Atelier Dreieck, com tecido de linho e algodão em tom laranja (paixão do artista) e, no Rio, pela Palmarium. Ao lado das pinturas no estojo, o poema de Régio surge impresso em tipografia manual por João Sanchez, do Estúdio Baren, com relevo a frio e serigrafia. Nas paredes, há quatro cânticos emoldurados e duas pinturas a óleo sobre tela, características do artista.
 

Sala Ferreira Gullar

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Sala Ferreira Gullar


As delicadas peças plásticas de papel feitas pelo poeta Gullar eram por ele chamadas de “relevos”. Elas encenam o momento em que o papel, até então bidimensional, salta no espaço, tornando-se tridimensional. A sala expõe parte dos 60 originais em papel e os 17 relevos a que deram origem, em finíssimas chapas de aço com tinta automotiva, tão finas e bem acabadas que lembram o próprio papel em que foram produzidas.

Cada relevo de “A revelação do avesso – Colagens em relevo de Ferreira Gullar”, da UQ! Editions, vem numa bela caixa de madeira, acompanhado por um livro com as obras interpretadas pelo olhar da fotógrafa Nana Moraes. Uma vitrine exibe os “Poemas Espaciais”, da década de 1960, e, no texto de parede, o poema “Pintura”, presente no livro, sintetiza o ardor com o qual Gullar exprimia sua estética e sua poética.

 

Sala Wanda Pimentel